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Pressão, despreparo e desinformação: a saga do VAR no futebol brasileiro

Cinco minutos. Este foi o período de paralisação na partida entre ​Flamengo e ​Fluminense, pela semifinal da Taça Rio, para a tomada de decisão do árbitro de vídeo a respeito de um lance polêmico logo no primeiro lance agudo do clássico. O tempo e a quebra de ritmo já seriam um problema por si só, mas a própria confusão interpretativa do lance gerou revolta entre tricolores: o lance havia sido revisado, a princípio, por um suposto impedimento assinalado pelo bandeirinha. No fim das contas a posição estava legal, mas o tento do Flu foi anulado por uma falta no mínimo discutível na origem da jogada.

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​​Desde a primeira utilização do árbitro de vídeo em solo brasileiro, ainda durante a Copa do Brasil do ano passado, é difícil puxar pela memória uma partida com VAR que tenha transcorrido sem incidentes ou questionamentos. Isso nos leva a uma pergunta: somos resilientes a mudanças ou elas não estão sendo implementadas da melhor maneira? Me atrevo a dizer que é um misto de cada coisa, potencializada ainda por outros agravantes. As barreiras são múltiplas, no campo dos comportamentos e das estruturas.

O primeiro grande entrave para o bom uso do árbitro de vídeo no Brasil é a desinformação. É preciso divulgar e esclarecer, exaustivamente, quais são as competências do VAR, bem como as suas zonas de atuação: o que ele revisa, o que ele julga e o que ele pode ou não pode acusar. Para que essa divulgação de informação seja possível, é preciso primariamente delimitar o que o VAR contempla, algo que parece ainda difuso entre atletas, treinadores e até mesmo entre os profissionais que o gerenciam (árbitros e federações).

Neste gancho, chegamos à segunda barreira: o despreparo. É consenso universal que o Brasil vive uma espécie de ‘crise técnica’ em suas arbitragens. Os erros se acumulam, a lisura dos campeonatos passa a ser questionada e as competições perdem prestígio junto ao torcedor. Esse efeito-dominó é consequência da falta de cuidado das entidades do futebol com esses profissionais do apito, tanto na preparação, quando na valorização de seus ofícios. Ora, se as más arbitragens têm aumentado exponencialmente, como vamos atribuir maiores responsabilidades a esses mesmos personagens? O VAR chega para ajudá-los, mas não deixa de ser uma atribuição complexa, que requer treino especial e assimilação, grandeza prejudicada pelo item anterior apontado neste texto: desinformação.

Por fim temos o terceiro desafio, que mora no campo das mentalidades. Além de sermos majoritariamente nostálgicos ao futebol de antigamente – consequentemente avessos a transformações -, ainda somos ‘incivilizados’ quando a bola rola. É bem verdade que futebol tem um significado distinto para o brasileiro, que não deve nunca ser medido pela mesma régua de europeus ou norte-americanos. Mas é fato que ainda precisamos evoluir muito na questão comportamental, sejamos atletas, treinadores ou apenas torcedores. Os cercos de jogadores aos árbitros, o ‘jeitinho’, a lógica do ‘meu pirão primeiro’, a sobreposição através da pressão, o desrespeito às hierarquias… Tudo isso colabora para que o uso da tecnologia seja sabotado logo de imediato em terras tupiniquins

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