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Parceria entre Flamengo e BRB é referência no Brasil; banco estima lucro de R$ 500 milhões

Flamengo e BRB fecham parceria com características inéditas e viram referência no Brasil. | Foto: Divulgação / Flamengo

A Caixa Econômica Federal retirou o patrocínio de vários clubes do Brasil no ano passado, alegando, conforme afirmativa do ministro da Economia, Paulo Guedes, que “é possível fazer coisas cem vezes melhores com menos recursos do que gastar com publicidade em times de futebol”. Porém, como destaca a jornalista Carolina Riveira, do EXAME, há instituições financeiras que pensam diferente e um grande exemplo é o recente acordo entre o Flamengo e o Banco de Brasília (BRB).

A agremiação carioca e o banco assinaram em julho um contrato de três anos pelo espaço máster da camisa rubro-negra, com possibilidade de prorrogação para cinco. Além deste acordo, o qual garante ao clube R$ 32 milhões por ano, os envolvidos também celebraram uma outra e importante associação: a abertura em sociedade do banco digital Nação BRB Fla.

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Flamengo ganha R$ 32 milhões por ano do BRB. | Miguel Schincariol/Getty Images

Este que, diferentemente de outras empreitadas envolvendo clubes de futebol e instituições financeiras, tem características próprias e vai muito além do uso da imagem do Rubro-Negro para a abertura de contas no BRB. Os lucros serão distribuídos de forma igualitária – ao invés de percentual por meta alcançada –, o que, para Reinaldo Belotti, CEO do Flamengo, pode ser classificado como “inédito no futebol brasileiro”.

“O contrato tradicional de patrocínio é alguém que paga para você colocar o nome dele na camisa. Mas a gente quis fazer diferente. Além de portar o nome um do outro, achamos que poderia existir uma sinergia”, comentou o dirigente.

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BRB quer ultrapassar barreiras de Brasília com parceria com o Flamengo. | DANIEL RAMALHO/Getty Images

Segundo Gustavo Herbetta, fundador da agência de marketing esportivo Lmid e ex-executivo de marketing do Corinthians, os clubes erraram ao trabalhar nos últimos anos apenas como veículo de mídia e vendido apenas a exposição – o que os coloca no mercado como competidores de outras grandes marcas, como o Facebook. “Acordo de patrocínio não é só visibilidade, é principalmente ativação, como relacionamento com o público”, afirmou.

“O futebol brasileiro está passando por essa mudança necessária, mais por exigência do mercado do que por iniciativa dos clubes.

– completou Herbetta.

Nação BRB Fla é tido como exemplo no Brasil.
Nação BRB Fla é tido como exemplo no Brasil. | Foto: Marcelo Corte / Flamengo

O banco digital criado entre o BRB e o Flamengo, lançado em julho, registrou 25 mil novas contas em menos de um mês – até o dia 21 de agosto. A expectativa é por 500 mil novas inscrições nos próximos 12 meses e por chegar a 1,5 milhão de contas no futuro.

Além das contas, os parceiros também têm como meta que o banco sozinho tenha um lucro líquido acumulado de R$ 500 milhões em cinco anos.

“Aqui não é remuneração por venda de produto. O Flamengo é nosso sócio”, afirmou Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, lembrando que o clube e o banco trabalhando em conjunto e que também há um conselho e regras de governança.

O presidente ainda afirmou que é contrato permite ainda a criação de uma subsidiária e “eventualmente até mesmo um IPO”. Ao todo, o BRB acredita que o Nação BRB Fla pode alcançar um valor de mercado de R$ 2 bilhões ao fim do contrato.

BMG tem vínculo com vários clubes do Brasil, incluindo Corinthians, Atlético e Vasco.
BMG tem vínculo com vários clubes do Brasil, incluindo Corinthians, Atlético e Vasco. | Foto: Divulgação / BMG

Embora o Flamengo e algumas agremiações do Brasil estejam saudáveis no sentido financeiro, a realidade das maiores dos clubes do país é difícil e isso piorou com a saída da Caixa Econômica Federal. “Megapatrocínios nunca foram fáceis de fechar”, explicou André Monnerat, diretor de negócios da Feng Brasil.

“Mas com a mudança de estratégia da Caixa, todos se viram com espaço vago na camisa ao mesmo tempo, em um momento de crise econômica. E os bancos digitais — basicamente todos novos entrantes no mercado — aproveitaram a oportunidade para usar o futebol como alavanca para tornar suas marcas conhecidas rapidamente”, encerrou.

Por ora, como destaca o Marcelo Palaia, professor da ESPM, e Monnerat, da Feng, essa nova modalidade (ou ‘experimento’) deve se restringir ao relacionamento entre bancos e clubes, mas outras parcerias também podem se aproveitar disso no futuro. “Fora os bancos, não vejo esse novo modelo [com produtos atrelados e maior ativação] acontecendo por aqui. Acho um bom caminho, mas toda a estratégia precisa ser muito bem casada”, comentou o professor.

“Nada impede que outros segmentos apostem nos novos modelos de patrocínio, mas é mais fácil acontecer se tivermos casos claros de sucesso com essas iniciativas de bancos”, completou Monnerat, da Feng.

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