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Movidas por cifras, entidades quebram fronteira da modernização e ‘estragam’ torneios

A tarde da última sexta-feira (15) foi preocupante para os apaixonados por futebol mais tradicionalistas. Após reunião realizada em Miami, a Fifa, ​através da figura de seu presidente Gianni Infantino, comunicou a aprovação do Conselho da Entidade ao projeto de inchar a Copa do Mundo de 32 para 48 seleções. Além disso, o mandatário confirmou a total reformulação do atual formato do Mundial de Clubes, que passará a acontecer de forma quadrienal, substituindo a já extinta Copa das Confederações.

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A se confirmar a remodelação da Copa do Mundo em pleito programado para o mês de junho, com participação direta dos 211 países filiados à Fifa, completaremos a tríade das transformações em torneios relevantes mundialmente, já que a ​Copa Libertadores passou recentemente por mudanças profundas aprovadas pela Conmebol. As reivindicações foram imensas quando a decisão continental passou para jogo único sem mandante, protestos solenemente ignorados pela entidade sul-americana. Cabe a nós perguntar: a quem essas adaptações grotescas interessam? O quanto continuarão deformando o nosso futebol?

Inchar a Copa do Mundo, criar um Mundial de Clubes com 24 participantes e acabar com a decisão da Libertadores em dois jogos são medidas conectadas por um fator específico: o viés mercadológico. Ainda que as entidades tentem vender um discurso bonito de ‘modernização’ das competições, o objetivo verdadeiro é lucrar mais sobre o produto que elas detém. No fundo, Fifa e Conmebol têm a segurança de que suas competições continuarão sendo amplamente consumidas mundo afora, mesmo em formato decadente ou deteriorado. Cartolas jogam o jogo das instituições, e até mesmo princípios de boicote como o que vem sendo organizado por clubes europeus ao novo Mundial, costumam ser desmobilizados.

Estamos em 2019 e é aceitável que as estruturas mudem. Ainda que sejamos nostálgicos com os velhos tempos de arquibancada de concreto, jogos com 150 mil pessoas e outras belezas do futebol ‘antigo’, algumas modernizações são justas. No entanto, é preciso traçar uma fronteira entre o que traz um benefício coletivo/uma evolução à prática esportiva e o que simplesmente beneficia àqueles que ocupam os bastidores obscuros da bola. Nos três casos citados anteriormente, é muito óbvio quem está saindo vencedor, e não é o torcedor.

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