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De paliativo a solução final: A triste resignação dos clubes ao advento da torcida única

No próximo final de semana, viveremos as fortes emoções dos primeiros clássicos eliminatórios do Paulistão de 2019. Ainda que as principais potências locais (​Corinthians, ​Palmeiras, ​Santos e ​São Paulo) costumem prevalecer nas decisões, o Estadual de São Paulo costuma ser o mais suscetível a surpresas. Para confirmar esta teoria, basta vermos as campanhas recentes de Ponte Preta/17, Audax/16, Ituano/14 e por aí vai. A edição desta temporada é apenas a nona em toda a história do torneio com os quatro gigantes figurando entre os semifinalistas. Cenário empolgante, se não fosse a frustrante medida da torcida única que vigora em terras paulistas.

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​​De medida paliativa para conter a violência nos estádios, a proibição de estádios divididos no Estado de São Paulo transformou-se em solução definitiva aos olhos das instituições de segurança, especialmente para o Ministério Público e Polícia Militar. É bem verdade que o número de embates/conflitos entre torcedores diminuiu desde que a nova lei passou a vigorar (2016) – panorama que vem impulsionando a média de preenchimento dos estádios em clássicos pela maior sensação de segurança -, mas na raiz o problema não morreu. Infelizmente para quem sonha com um futebol pacificado, isso só acontecerá com a evolução nas mentalidades: com a conscientização de que seu rival não é seu inimigo, algo que parece muito distante do que vivemos no Brasil de 2019.

A diminuição da violência dentro dos estádios e em seus arredores nunca vai ser algo ruim, obviamente. O lamentável é que, para tal, tenha sido preciso exatamente o extremo: uma medida proibicionista que fere o que há de mais bonito no futebol, sua dualidade. Os dois cantos nas arquibancadas, as cores contrastando, os dois brasões distintos, cada qual portado orgulhosamente por seu respectivo torcedor em dia de jogo grande. Perdemos o embate sadio, a sobreposição sobre o rival na festas, no batuque e na garganta, e até mesmo as ‘resenhas’ e provocações amenas na saída dos estádios, algo que sempre fez parte da magia do clássico. É um preço bem caro a se pagar, mas clubes e federações parecem resignados ao novo formato. Perdemos.

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